O Setembro Amarelo é uma campanha de valorização da vida e de prevenção ao suicídio

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Desde 2014 a campanha Setembro Amarelo tem visado à conscientização sobre a prevenção do suicídio. Com a ampla divulgação de informações sobre o suicídio e com a identificação de locais públicos e particulares com a cor amarela, o movimento acontece durante o mês de setembro em todo o mundo.

A campanha alerta que o estigma em torno dos transtornos mentais e do suicídio faz com que muitas pessoas que estão pensando em tirar suas próprias vidas não recebam a ajuda necessária. Como parte da solução, o debate deve ser ampliado e o assunto não deve ser um tabu: a prevenção ao suicídio é essencial e, ao contrário do que já se pensou, falar sobre o tema não incentiva a prática. Se feito de forma responsável, a atenção de familiares, amigos e principalmente de profissionais, pode ser fundamental.

No Brasil, 32 pessoas morrem por dia, vítimas de suicídio. Segundo a OMS, 90% dos casos poderiam ser prevenidos. Falar sobre é o primeiro passo para a prevenção. É preciso quebrar esse tabu e compartilhar informações sobre o tema, alertando as pessoas de sua importância.

Segundo informações do Mapa da Violência, em 2012, 117 meninos e meninas entre 10 e 14 anos se suicidaram no Brasil. No ano 2000, foram 83. Os números provocam questionamentos. O que leva pessoas tão jovens a se matarem? Quais as motivações para que nesta fase ainda inicial de transição da criança para o adulto, o sofrimento seja tão intenso e a morte deliberada ocorra? A inquietação nos incentiva a buscar informações.

A questão é complexa e, como tal, a resposta não pode ser simplista. Mas é preciso falar. O suicídio pode ser prevenido com informação. A identificação de sinais, a oferta e a busca por ajuda ainda enfrentam barreiras muitas vezes por preconceitos. Falar sobre suicídio costuma ser delicado, até mesmo pronunciar a palavra provoca às vezes uma situação de desconforto. Algo como já foi a lepra ou o câncer. Com a diferença que a dor psíquica em muitas situações é encarado como de menor importância que a dor física.

Se nove em cada dez mortes por suicídio podem ser evitadas, o que fazer?

Conhecer um pouco mais sobre o tema, buscar ajuda, saber que frases como “vou desaparecer”, “vou deixar vocês em paz”, “eu queria dormir e nunca mais acordar” podem expressar ideias ou intenções suicidas. Um sinal de alerta que precisa ser compreendido como comunicação e que não deve ser ignorado.

A falta de esperança e de visão do futuro, a culpa, a baixa autoestima e a visão negativa da vida, sejam verbalizadas, manifestadas por escrito ou até mesmo em desenhos, apontam a necessidade de maior atenção.

Amarelo é a cor da vida, da luz, do sol. É mês de se unir a esta campanha de valorização. Tal como ocorre no Outubro Rosa ou no Novembro Azul, busque informações, procure ajuda, fale abertamente sobre as emoções. A fala auxilia no entendimento dos sentimentos, na compreensão do que se passa dentro de si.

Ajuda do outro lado da linha:

Quem precisa de ajuda pode recorrer ao Centro de Valorização da Vida (CVV), grupo de aproximadamente 2 mil voluntários que oferecem apoio emocional gratuito. O CVV atende por telefone, chat, Skype, e-mail e até pessoalmente, em casos mais graves. Também existem programas de saúde pública que prestam atendimento gratuito como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Fonte de consulta: CRP-PR e CVV.

 

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