O exame toxicológico dos motoristas de caminhão está valendo há um ano e já dá para fazer um balanço das mudanças que ele provocou.
Os motoristas tiveram que se adaptar, mas parece que o exame pode ter contribuído para a queda nos acidentes nas estradas federais.
A redução foi de 26%, maior do que a queda registrada nos acidentes envolvendo todos os veículos. O exame é feito quando o motorista de ônibus e caminhão vai renovar ou tirar a carteira. Ele detecta o consumo de drogas nos últimos três meses.
Uma amostra do pelo do braço ou uma mecha de cabelo. Desde março do ano passado, motorista que quer tirar a habilitação profissional ou renovar uma carteira nas categorias C, D e E, tem que passar por este teste toxicológico, um tipo de exame antidoping.
“Ele aponta o uso de substâncias tóxicas, drogas de maneira geral, como cocaína e derivados, maconha e derivados, opiáceos, anfetaminas”, explicou a gerente do laboratório, Ana Paula Pimenta.
Em uma das maiores áreas de descanso de caminhoneiros da Região Metropolitana de São Paulo, perto das rodovias Dutra e Fernão Dias, o exame toxicológico já provocou uma pequena mudança. O pessoal da limpeza não quis gravar entrevista, mas contou à reportagem do Bom Dia Brasil que antigamente encontrava muitas embalagens de cocaína no lixo. Agora, isso diminuiu bastante.
O caminhoneiro gaúcho Enrique Ebbing, que acabou de fazer o toxicológico pra renovar a carteira, não se incomodou de cortarem um pouco do cabelo dele e aprova o teste: “O pessoal está andando menos à noite, você já nota menos movimento e o pessoal andando mais de boa, cumprindo horário. Eu acho que melhorou”.
O colega dele, de Santa Catarina, transporta cargas especiais e também fez o exame recentemente, sem susto. Mas nem todos os caminhoneiros estão tranquilos assim.
“Pessoal estava preocupado, dizendo: ‘eu vou ter que dar uma parada para conseguir fazer senão vai ter problema. Vai ter problema’. E aí teve uns aí que tiveram problema e não conseguiram fazer. Estão aí sem poder trabalhar por causa disso aí”, contou o caminhoneiro Edson Loppnow.
Entre março e dezembro do ano passado, mais de 10 mil motoristas profissionais fizeram o toxicológico, em todo o país. 21% tiveram resultado positivo.












